Set 27, 2021

Suspeito preso por envolvimento com facção era diretor de empresa de transporte no litoral de SP

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Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em Itanhaém e Peruíbe, SP — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Um empresário suspeito de envolvimento com uma facção criminosa foi preso durante uma operação da Polícia Civil. O investigado teria assumido recentemente a direção da empresa responsável pelo transporte público de Itanhaém, no litoral de São Paulo, e o próprio prefeito, Marco Aurélio Gomes (PSDB), divulgou um vídeo (veja abaixo posicionamento na íntegra) nesta terça-feira (1º) se posicionando sobre a situação. A empresa afirma que ficou surpresa com a notícia da prisão, e que ele não faz parte do quadro societário da organização.

A prisão do empresário ocorreu na sexta-feira (27), durante a 'Operação Laura', coordenada pelos policiais da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Itanhaém, com o objetivo de prender suspeitos de ajudar uma foragida da Justiça a dar à luz de forma clandestina no Hospital Regional de Itanhaém.

De acordo com a Polícia Civil, a grávida era integrante de uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios. Ela utilizou um nome falso e, também, deu um nome falso à filha, que nasceu em outubro. A mulher foi capturada logo após receber alta. Com base nas investigações, a equipe identificou os suspeitos que auxiliaram a mulher a ter acesso ao hospital sem ser identificada.

Segundo as autoridades, o trabalho investigativo mostrou que esse empresário tem importante atuação no Primeiro Comando da Capital (PCC), e que a capturada não tinha relação de amizade com ele, mas o procurou para ajudá-la, sob orientação de outras lideranças do alto escalão do crime organizado.


Conforme a Polícia Civil, o suspeito também é uma das peças do conglomerado empresarial chamado 'Arco-Íris', que consiste em um polo de diversão da facção criminosa, onde há serviço de televisão, parque aquático, concessionária de veículos e até um mercado.

A investigação ainda apontou que coube ao empresário, que tem grande influência, também, nas cidades de Peruíbe e Itariri, possibilitar que a foragida tivesse a filha sem risco de ser presa. Os policiais apresentaram como prova do envolvimento do suspeito conversas em aplicativo de mensagens entre ele e a mulher, procurada pelo Poder Judiciário. Nas mensagens, o empresário combina todo o esquema com a foragida, e afirma que ela teria atendimento prioritário durante o parto.

Transporte público e prefeitura


O transporte público de Itanhaém vem, recentemente, apresentando transtornos à população e aos próprios funcionários da empresa. Em outubro e nesta terça-feira (1º), os ônibus da Litoral Sul não circularam, devido à falta de combustível nos veículos.

Além disso, os motoristas entraram em greve em novembro deste ano, afirmando que não estavam recebendo os benefícios e salários integrais.

Devido a esses problemas, o prefeito de Itanhaém divulgou um vídeo se posicionando sobre a situação, e afirmou que há a possibilidade de encerrar o contrato com a empresa. Veja o posicionamento completo abaixo:

"Pessoal, hoje eu trago novos esclarecimentos em relação ao transporte público urbano da cidade de Itanhaém. Fato público foi a constituição de um processo administrativo para declaração da caducidade do contrato até então vigente, bem como a demonstração da inexecução contratual por parte da Litoral Sul. Além disso, tivemos conhecimento de que pessoas que supostamente estariam entrando na direção da empresa estariam sendo investigadas pela Polícia Civil por suposto envolvimento com o crime organizado. Tais fatos são inadmissíveis, e nós aguardamos nos próximos dias o parecer conclusivo da comissão constituída por procuradores municipais em relação à caducidade do contrato. Continuamos trabalhando para um contrato público de transporte de qualidade, idoneidade, e que leve com eficiência o transporte a todos os moradores da cidade de Itanhaém".

Em nota, a Litoral Sul afirma que a empresa foi surpreendida com a notícia, e que não tem conhecimento dos fatos que levaram o empresário a ser preso, até porque, há até pouquíssimos dias, nem ao menos o conhecia.

Segundo a concessionária, o investigado estava em contato recentemente com a empresa, pois representava um grupo empresarial que demonstrou interesse na Litoral Sul e vinha tomando conhecimento da atividade desta, contudo, jamais fez parte do quadro societário da empresa.


G1

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